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sábado, 2 de abril de 2011

Chuva e Sol




O tempo passa tão rápido que 
a gente nem percebe a velocidade
que as coisas mudam. Lembro que 
outro dia estava falando da falta 
de chuva, e como esta trazia 
aquele sentimento de tranquilidade, 
como eu me sentia segura com a 
chuva, com o barulho da chuva, 
com o cheiro da chuva. 
Hoje, assim como ontem, assim 
como toda a semana, se não 
todo mes, choveu, e dife-
rentemente da época da seca, 
não me senti tão bem assim com 
a chuva. Depois de um tempo, 
ela vai te pressionando, e você
muda de idéia, por que nem 
todos os dias a chuva te faz 
sentir segura, ela atrapalha 
seus planos, e aí tudo o que 
você deseja é acordar com raios 
de sol entrando pela sua janela.
Com todas essas metáforas de amor
tempo, o que quero dizer é que,
tudo muda, e da mesma forma que 
o tempo; da mesma forma que quando 
está seco, você deseja que chova, 
e quando está chovendo, você torce
por um sol; a mesma coisa quando 
se trata dos seus sentimentos, as 
vezes você se sente presa, outras 
horas só quer alguém para abraçar,
mas a verdade é que até você encontrar 
a pura felicidade e paz, você não vai 
se contentar com sol nem com a chuva,
você vai desejar os dois. E falando 
por mim, ainda não encontrei o meu
meio termo, não sei se sou sol ou 
chuva, mas até eu descobrir, vou
desfrutando as temporadas. 
Esperando até a chuva, ou o sol, 
aparecerem na minha janela pela manhã.

Por : Mariana F. 


-- 



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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Cartas não enviadas (1)




M.F,
É incrível como as pessoas são descartadas, as amizades terminam de uma hora pra outra, e aquele sentimento inexplicável é o único que resta.
Eu sempre fui sua melhor amiga e você a minha, contávamos tudo uma pra outra, nos falávamos todos os dias, em todas as oportunidades estávamos juntas. Para você, eu contei todos os meus segredos, confessei meus erros, confiei minha vida. Me esforcei para ser a melhor amiga que um dia você já teve, e apesar de pequenos desentendimentos constantes, os momentos que eu tive com você foram de mais pura felicidade. É duro ver que antes a gente tinha tudo que precisava e não sabia. Ok, ok, eu não tinha tudo que eu precisava, mas eu tinha você, que se juntava com um nada, e o tornava tão completo, tão tudo.  Tudo que eu queria você tinha, e eu juro que me esforçava ao máximo para te dar tudo que você queria também. Você tinha outras outras companhias e eu fui totalmente flexível, te ajudava quando as outras apenas outras, sem tanta importância  te deixavam de lado. Te dava meu ombro a qualquer momento de necessidade e e ficava no seu lado não importava pelo que estávamos lutando. Eu era sua melhor amiga, e tinha certeza absoluta que tudo iria furar para sempre, e será que isso vai mesmo acontecer? Sabe, se você quer realmente deixar tudo que passamos para trás e se desmanchar do passado, eu vou te entender, eu sempre priorizei a sua felicidade. Mas pensa um pouco: eu tenho corrido atrás de você todos os dias, e tenho sido ignorada e várias vezes trocada sempre. Você não percebe que tudo está diferente? Os meus olhos não estão sendo claros o suficiente? Eu tenho que chegar na sua frente e falar na sua cara para você entender que eu sinto sua falta todos os segundos do meu dia e eu quero você aqui do meu lado? Pra sempre. Eu te amo muito amiga, e eu realmente preciso de você do meu lado aqui para sempre. Só pra sempre. Será que é pedir muito?

ass.: m.f.

E dane-se se a carta saiu uma merda ruim, porque as lágrimas atrapalharam muito viu? 

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

I - Superação

Acordo com o telefone tocando.

* Alô?

* Alô? Quem é? É a Mariana ?

* Eu mesma - começei a reconhecer a voz. Enfim o momento em que você me ligara chegou, esperei tanto por isso, e não tive nenhuma reação. Minha respiração? Parou. Meu coração? Mais rápido que nunca. E as palavras que eu vinha preparando a tanto tempo? Não tiveram nem a intenção de se manifestarem.

Você continuou a falar.

*Já era de se esperar que fosse você. Eu já sei de tudo. Você acha que as pessoas não comentam? Claro que elas sabem de você. Eu acho isso ridículo! Eu não te amo, você pode me amar... mas eu não! Nunca nem falei com você guria...

Ele usou esse termo, depois de tudo que eu fiz por esse garoto ele me chama de guria. E o que ele tava falando? Como ele podia estar sendo tão insensível com tudo isso; de tudo que eu já tinha imaginado para quando essa hora chegasse, isso não estava nem perto dos planos.

E o que eu fiz? Nada, fiquei calada, ouvindo ele me dar uma bronca que eu não merecia estar levando. O que eu fiz? O amei com todas as minhas forças, fiquei acordada durante noites imaginando nós, combinando nomes, chorando... Nossa, como eu chorei. Lágrimas não faltaram! E depois de músicas fossa, 'comida de deprê', travesseiro ensopado e tudo mais... o que eu ganho? Isso. Isso não!

A culpa é sua! Que me fez colocar esperanças no que não deveria, me fez te amar até quando não merecia, te apoiar nos seus altos e baixos. Você que foi essa pessoa maravilhosa - até agora - que sempre estava de bem com a vida e não deixava de sorrir nunca. Você me fez te amar, você é o culpado nessa história.

E ele continua:

*Você deve estar muito enganada com o que penso sobre você. Eu nem falo com você! Você nem é minha amiga! Quando me falaram que era você, primeiro fiquei questionando: quem é essa garota? Depois me convencendo de que como alguém que nem me conhece pode fazer esse tipo de coisa! Maluca você ouviu? Maluca! Haha.

Ok, agora o choro começa, tento controlar, pra não parecer que to chorando, mas é quase inevitável. A pessoa que você ama, você deposita todos, TODOS, os seus sentimentos nela para te chamar de maluca?! Qualé.

*E se você quer saber... eu não quero mais saber de você. Só resolvi te ligar agora pra dar um basta nessa história. Não me procure mais! Tchau , Mariana.

Ele falou meu nome como se eu fosse a doença mais mortal do planeta inteiro. E eu não consegui falar nada em troca. Estava totalmente paralisada. Como isso poderia acontecer?

Chorei muito naquela hora. E como já estava na cama, adormeci por ali mesmo, com o cabelo todo bagunçado e o celular que só me trazia tristezas na mão. Acordei novamente mais tarde, e ao checar o celular, ninguém havia me ligado naquela manha. Havia sido só um sonho. Primeiro capítulo da superação.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Quatro coisas que me deixam muito pra baixo



1- Brigar com as minhas melhores amigas. Principalmente minha mãe, ela é meu guia.

2- O clipe I Miss You da Avril Lavigne e o filme Uma Prova de Amor com a Cameron Diaz.

3- Meu amor não compreendido.

4- Pessoas futeis que só ligam pro que realmente não importa.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Bipolaridade


Eu te odeio. Odeio como você é perfeito.
Odeio quando seu cabelo cai na sua cara e você o joga pro lado. 
Odeio a cor dos seus olhos, brilhantes demais, tão claros. 
Odeio o jeito como você se movimenta, como se estivesse flutuando, isso é muito irritante. 
Odeio como você consegue agradar todo mundo... todos te amam, você ama à todos.
Odeio o seu bom humor, nunca se chateia com nada, sempre é otimista demais.
Odeio também o seu talento, como você consegue fazer tudo tão perfeitamente?
Odeio você porque eu te amo. 
Te amo tanto que eu começo a te odiar, te invejar.
E eu te amo pelas mesmas razões pelas quais te odeio. 
Mas eu também te odeio porque eu te amo e você não me ama de volta...
E eu continuo aqui... nessa bipolaridade de sentimentos. 


Por Mari F. 

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Escuridão e Luz



É como se todas as luzes da cidade inteira tivessem se apagado a noite. Como se todas as coisas luminosas fossem representadas pela sua presença, e uma vez que você vai embora, tudo fica escuro para mim. Os dias parecem ser mais extensos e as noites não parecem ser suficientes, eu me perco na multidão de pessoas enquandto meus pensamentos estão longe, e me perco em meio à pensamentos enquanto a multidão dorme.
Eu nunca tive medo de escuro, mas este que me cerca é diferente do que as crianças temem. Isso porque o medo delas é provocado pela falta de luz, enquanto a minha existe porque eu não tenho o alcance dos seus olhos. E eu também sinto medo de me perder e nunca mais achar o caminho de volta, nessa escuridão. Ou de apenas acabar cega pela luz, se ela voltar sem nenhum aviso ou motivo. 
No começo implorava para você voltar e acender toda a luz da minha vida, mas acabei percebendo que a escuridão é bem confortável, se levarmos em consideração que desse escuro, eu não posso receber nenhum mal,como sua luz me causava.

Talvez assim seja bem melhor - você a luz, e eu a escuridão . Um não vive sem o outro, mas onde um está, o outro não consegue ficar. 

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Borboletas



Sabe quando você começa a ler textos e poesias românticas e se identificar de frase em frase, de queixa em queixa? E tem o cappuccino, a cadeira de balanço, o olhar distante para a janela de qualquer lugar, o travesseiro encharcado, a música fossa repetida e agonia que você sente quando tem pessoas ao seu redor.
E tem também aquela mistura de raiva e tédio quando as pessoas vem com aquele papo de que amar alguém é o sentimento mais revigorante e blábláblá.
Meu Deus, quando você ama alguém e não é correspondido, a pessoa fica em cima do muro e tomando decisões erradas... bem, isso não é mais comercial de chicletes ou brinquedos para criança, onde tudo é colorido e feliz. Isso dói, machuca, sufoca.
E a única saída que você tem é desistir, por mais que você queira continuar lutando e mesmo que você não esqueça nada e continue escrevendo textos que não vão te levar a lugar algum, desistir é A opção. Porque se você não desistir, você descobre que, o amor que é errado, é como borboletas viradas ao contrário.
No começo elas voam no seu estômago, te fazem sonhar, sentir aquela coisinha que você fica maravilhado com tudo que vê, e toca, e ouve, e faz. Mas então elas viram larvas e com a esperança de crescer, vão se alimentando de você, e te impedem de dormir.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Chuva


Escreveria algo bom , bonito, doce e romântico. 
Mas olha, está ventando, o sol não brilha com essas nuvens cobrindo-o, 
está seco faz meses,  voa poeira na minha direção, e não chove, incrível. 
Nenhuma gotinha esse céu infinito chora. E eu gosto tanto da chuva, 
dessa sensação de tranquilidade e bem estar que ela traz. 
Gosto do jeito que ela tira a raiva que me sufoca. 
E parece que está tão perto de eu conseguir alcançar, 
mas já faz tanto tempo que eu não vejo, 
que as vezes me faz perder a esperança.

E não, essa descrição não se refere somente ao tempo. 

sábado, 18 de setembro de 2010

O filho que eu quero ter


É comum agente sonhar, eu sei, quando vem o entardecer. 
Pois eu também dei de sonhar, um sonho lindo de morrer. 
Vejo um berço, e nele eu me debruçar, com um pranto a me correr. 
E assim, chorando, acalentar, o filho que eu quero ter. 
Dorme meu pequenininho, dorme que a noite já vem. 
Teu pai está muito sozinho, com tanto amor que ele tem. 
De repente o vejo se transformar, num menino igual a mim.
Que vem correndo me beijar, quando eu chegar, lá de onde eu vim. 
Um menino sempre a me perguntar, um porquê que não tem fim. 
Um filho a quem só queira bem, e a quem só diga sim. 
Dorme menino levado, dorme que a vida já vem. 
Teu pai está muito cansado, de tanta dor que ele tem. 
Quando a vida, enfim, quiser me levar, pelo tanto que me deu. 
Sentir-lhe a barba me roçar, no derradeiro beijo seu.  
E ao sentir também sua mão vedar, meu olhar dos olhos seus. 
Ouvir-lhe a voz a me embalar, num acalanto de adeus. 
Dorme meu pai sem cuidado, dorme que ao entardecer, 
teu filho sonha acordado, com o filho que ele quer ter.

Vinicius de Moraes  

sábado, 7 de agosto de 2010

Já é hora





Sabe que já tiveram dias, 
em que eu pensei que nunca ia acabar. Eu nunca ia parar de amar você. Mesmo depois de tudo terminado, você continuaria sendo a pessoa dos meus sonhos, e eu ia te conquistar novamente, nem que fosse com outro pseudônimo. Eu continuaria a tentar, e quando o meu último plano tivesse falhado, eu teria que parar e te amar secretamente. Iria virar aquela cinquentona que mora sozinha, e se entope de sorvete toda noite para tentar cobrir as marcas de um amor mal-acabado. 
Eu não conseguia me imaginar com outra pessoa que não fosse você. 
Parece que tudo mudou.
Me vejo admirando outras pessoas, me apaixonando por outras pessoas, outras pessoas sem ser você.
E eu fico feliz. 
Por não carregar mais o fardo de um amor não correspondido.
Por não ser mais a pessoa que ia correr atrás de você até os planos acabarem.
Por talvez não me tornar a cinquentona, carente, solteira. 

E sabe, eu acho que já é hora de dizer.
Já é hora de agradecer por tudo e mais um pouco.
Já é hora de dizer que você foi a razão da minha felicidade, mas nos últimos dias, tem sido a razão do meu sofrimento.
Já é hora de dizer o último eu te amo.
Já é hora de dizer tchau.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Miss you, happiness


Levei a famosa cadeira de balanço - a que eu sento quando quero pensar- para a varanda e fiquei ali. Fiquei olhando a movimentação, quase inexistente e o céu que hoje, estava triste. Não sei se porque eu estava triste e via tudo a minha volta mais triste, ou só porque o dia parecia ser de chuva.
Uma lágrima, que eu não tinha idéia que estava ali, esquentou a minha bochecha, contornou meu queixo e permaneceu ali.
Senti uma facada em meu peito, e chegou como um foguete aquela falta.
Falta dos meus amigos, de amores que parecem nem existir, do cheiro da minha mãe, falta das tardes na casa da minha vó.
E com o susto da intensidade que as minhas lágrimas caiam, voltei a realidade.
Já estava começando a pingar e a cada minuto, a chuva invadia mais a varanda. Mesmo um pouco molhada continuei ali com meus pensamentos.
Desculpe presente, por te magoar tanto.
Desculpe futuro, por não ter a mínima esperança em você.
É que eu sinto tanta saudade do passado.
Sinto saudade dos meus amigos, que nem sei se lembram mais.
Sinto saudade da família, que está cada vez mais distante.
Sinto saudade do meu amor, que nem sei se posso mais chamar assim.
E sinto saudade de você também... minha antiga companheira, felicidade

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Winnie the Pooh

Todo dia acordo com aquele Pooh na minha cama. O ursinho de pelúcia que você me deu na sua primeira licença do exército. Você disse que o comprara na Disney de Paris e trouxera especialmente para mim, porque sabia do quanto eu gosto do Pooh.
E mesmo amando o presente, e o fato de que ele significa o quanto você lembra de mim enquanto serve; também odeio acordar com esse pedácio de pelúcia todas as manhãs, porque esse urso que está aqui, seguro, e não você, que está arriscando a sua vida, e lutando pelo que você acha que um dia vai ser um mundo pacífico.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Cartas

Oi, de novo.
É... aqui estou eu escrevendo para você, de novo.
Não sei se você vai ler, não sei nem se vou mandar; mas ... sei lá, deu vontade de escrever hoje. Não só hoje, mas hoje com mais urgência... sei lá, só para te contar as novidades.
Estava ouvindo aquela música hoje de manhã. A nossa música. Lembrei de você.
E aí? Como estão as coisas? Me disseram que você voltou a namorar. Já esperava por isso na verdade. Mas mesmo assim me entristece um pouco sabe? Não dá para se preparar o suficiente.
Também já tive outras pessoas na minha vida desde que você partiu. Nada muito sério. 
Cortei o cabelo, sabia? Sério! Nada muito curto, é verdade, não tenho tanta coragem.
Emagreci, engordei, emagreci de novo. Culpa sua, em parte.
Parei de beber refrigerante! Apesar de estar bebendo nesse momento, mas esse vício meu é igual ao amor, não dá para parar de uma hora para outra. Mas um dia eu consigo esquecer. Ambos, o refrigerante e você.
Bom, mas é isso. Não tinha muito a ser dito, só queria escrever para você. 
Matar a saudade que nunca morre.
Me escreva também, não esqueça!
Ou pelo menos, só pense em mim com carinho, ao ouvir aquela música, ou lembrar do que éramos antigamente para o que somos hoje.


Corri


Me sinto isolada. Espera, palavra errada. 
Sinto como se não se importassem, como se eu não fizesse diferença. Que vontade de fugir, de correr para longe, para ver quem viria atrás de mim.



quinta-feira, 1 de julho de 2010

Só uma memória

Somente as memórias. Foi o que sobrou de você. Não deixou nada de recordação. Levou tudo, e com esse tudo, eu quero dizer até o que eu sentia. Parece que você fez uma limpa total, levou as fotos, as roupas, os presentes; mas na minha cabeça você não tocou. Tudo que agente passou continua lá. Intacto. 
Tentou não deixar rastros não foi? Só iria conseguir se não tivesse falado comigo no primeiro dia, não tivesse me beijado no primeiro encontro, não tivesse prometido me amar pela eternidade, não tivesse feito eu te amar pela eternidade. De qualquer forma você ia deixar rastros. Porque tudo que agente passou foi inesquecível. Você foi inesquecível para mim, e mesmo que você tenha arrancado tudo repentinamente, nunca vai conseguir tirar, as memórias e as lembranças de tudo que passamos juntos. 

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Bolinhos de mandioca

É que a gente se pega em uma tarde de sábado rindo sozinha na cozinha lembrando daquele cheiro. E aquele determinado cheiro - dos bolinhos de mandioca da minha vó! - me transporta para outro tempo, um filme vai passando pela minha cabeça, meio embaçado, sem muita nitidez - como os filmes costumavam ser naquela época - e tocando no fundo, aquela música da Norah Jones, que ninguém daqui deve saber, mas se chama Seven Years. Durante o filme, me vejo garota, bem pequenininha, só de meias, sentada na mesa de madeira toda detalhada, balançando os pezinhos  à espera da vovó, que mexia vagarosamente a mistura do bolo - sem muita mais força para mexer mais rápido. Tudo ali, a cozinha, as meias, a vovó, o bolo, parece tão aconchegante e feliz, e eu continuo ali, me balançando, como se a minha maior preocupação fosse os bolinhos de mandioca.
E assim as tardes iam, as tardes que nunca (NUNCA!) eram vazias, preenchidas com a sessão da tarde, as sonecas, Nescau com pão, brincadeiras e brigas com o irmão, pés totalmente sujos, e joelhos ralados.
Os domingos eram outra maravilha. Pareciam ser sempre dias ensolarados, mesmo os que choviam. E aquele almoço? Que toda a família comparecia e cada um trazia a sua especialidade- pure de batatas, frango com milho, feijão petro novinho. As tias tagarelas, os primos se acotovelando sobre a mesa, a avó corpulenta e sorridente, feliz da vida de ver a casa cheia, o vô meio quieto, as vezes com uma cara de bravo, mas que por dentro, estava adorando tudo aquilo.
E agora nos sábados, eu fico na frente do computador a tarde praticamente inteira, como em um restaurante nas comerciais, e as vezes me pego rindo ao sentir aquele cheiro de bolo de mandioca. Aquele cheiro que era algo como minha família.
E dá aquela vontade incontrolável de rir e de chorar ao mesmo tempo, porque amanha seria o domingo-na-casa-da-vó, e agente não pode mais ir para o quintal brincar de pique-esconde e se sujar todo na grama, ralar toda a perna, e passar methiolate no joelho, mesmo doendo, porque methiolate ardia naquela época. Agente é adolescente agora, não me lembro desde quando, mas é isso agora, mesmo sendo horrível, não temos mais quintal e sessões-da-tarde. Só de vez em quando, para não ser totalmente injusta.
É tudo um filme  embaçado, ao som de Norah Jones.

Mariana F.

Eu sinto saudade

Só porque estava chovendo. Eu estava sozinha e comecei a ver as fotos antigas no meu computador. Ai fui me lembrando de como eu era brega feliz, foi me dando aquela saudade e tudo mais. Me lembrei de você, de como éramos unidos, de como eramos próximos, de como você costumava ser, além de tudo, meu melhor amigo. Me lembrei de como nos chamávamos de 'fogo e gasolina', 'nota de cem', e de todas as nossas metáforas e piadinhas internas que só agente entendia.
Acabo de lembrar também que não somos mais metáforas, nem internas. Somos só pessoas separadas, eu estou aqui, e quando for aí, talvez nem te encontre mais. Deve ter outra pessoa importante na sua vida, e é claro que eu respeito, tenho muitos um pouco de ciúmes, mas não deixo de lado o respeito. Agora eu pergunto: ela te ama o quanto eu te amei? Você ama ela do jeito que você me amou? Você realmente acha que com ela vai durar para sempre da maneira como você me falava?
Eu sinto muitas saudades suas, de nós, das nossas brincadeiras, conversas, crise de derrotas (outra interna), risadas e de todos os momentos que passamos juntos.
Mas o tempo muda, não temos mais 10 anos, e nem vemos mais o mundo com lente colorida. Bom, talvez eu ainda veja, de uma forma um pouco desbotada, pura verdade, já não sei qual é mais a cor que você enxerga o mundo.
É triste, eu sei.
Mas eu também sei que se eu realmente precisar de você, se eu chamar, vai estar do meu lado e vamos dar aquele abraço que não damos faz muito tempo.Não sei se vai acontecer, por causa da distancia que nos separa, mas eu sei que vou poder contar. Eu vou chorar do jeito que eu estou chorando agora e você vai dizer que está tudo bem, depois vou te contar tudo o que me entristece e você vai contar aquela piada do sorvete, que sempre me fazia rir pacas. Você vai ficar offline da minha vida de novo e tudo estará bem -porque dessa vez pelo menos falei com você - até bater a saudade dos velhos tempos, de novo.

E eu sei, meu amor, "que nós somos o que tem que acontecer". (C. Lispector)

Mariana F.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Estou no caminho


Você foi o que pegou a minha meu e me levou para onde nunca tinha ido. Eu te perguntava "porque?", e você respondia "por que não?"
Assim, cada vez mais, eu mergulhava nessa aventura, no desconhecido. E você tinha sido o primeiro que eu deixara me conduzir desse jeito, por isso eu ficava com muito medo. O medo era tanto no começo, mas foi passando, passando, a medida que nós iamos avançando.
E de mãos dadas, juntos sempre, passamos por caminhos, uns bonitos, outros nem tão bonitos assim. E mesmo quando eu quis soltar a sua mão e sair correndo feito a medrosa que eu sou, você não deixou. Não vamos perder algo tão bonito, era o que você dizia. E eu não acreditava que podíamos chegar tão longe, eu pensava que chegaríamos à lugar nenhum, e que no final, seríamos apenas passos distantes um do outro, e caminharíamos sem rumo.
Mas estava enganada, até porque o final ainda não há de chegar.
Por enquanto, nessa caminhada da vida, andamos com passos lentos, pé depois de pé, escolhendo bem o caminho.
Ainda que de longe - isso foi culpa do destino - a sua mão continua grudada na minha. E como é bom poder acordar tranquila sabendo que não estou sozinha no meu caminho.
Mesmo sabendo que a saudade e as 'pedras no caminho' existem, também sei que quando passamos por elas, você me pega no colo, agente pula, e caímos na risada.
Porque o caminho que estou me referindo é o amor, e quero seguir em frente com você. Você faz parte do meu caminho, da minha vida.